Acho que perdi o juízo, Joaquim, mas desde quinta-feira passada eu te procuro.
Que absurdo!
Teu rosto pode ser qualquer um que eu já vi, qualquer um que eu cruzo todos os dias no sinal às seis, mas eu não consigo decifrar o mistério que envolve teu sorriso tímido no nosso encontro casual. Somos dois estranhos, mas parece que já te conheço tanto. Como se você estivesse à minha espera, mas passo por despercebida porque você ainda não se deu conta da falta que faço à mesa do jantar. Sabe, todo final de tarde em que não te encontro é como se eu te visse partir contra minha vontade, sem nenhum aviso prévio; é como se você batesse a porta sem dizer adeus.
Joaquim, embrulha teu sorriso e me envia no seguinte endereço: Rua das Flores, número 1; na casa que é colada à tua.
(Juliana Thuinny)
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