Veja só, eu que sempre fiz a menina-exemplar, tomei meia garrafa e fumei alguns cigarros. De verdade, eu não tenho nenhum bom exemplo pra hoje. Minha vontade mesmo era de me embriagar e me libertar do vazio. Do buraco inexistente que faz com que meu peito doa. Quem já se viu? Eu, que sempre contestei, querendo ficar de pileque pra curar minha dor.
Que saudade de você. Já não sinto mais meu corpo, meus passos já não são tão firmes. Será que amanhã você volta e traz de volta todas minhas desventuras de menina? Queria voltar ao início, reinventar o passado… impedir o fim. Mas meu querido-doce-amor-de-aluguel, o prazo acabou. E as tentativas falharam. Eu já não suportava mais a sua mania de tapar o sol com a peneira. E já não me suportava por acreditar num possível recomeço.
Acabou…
E como em todo fim de romance, desmancho-me em lágrimas. Mas dessa vez já não é um clássico da Sessão da Tarde, trata-se do fim de nós. Estou tentando me convencer de que não daríamos certo mesmo. Porque eu costumava ser a estúpida. A que sempre te falava a verdade independente da dor que causaria, mas você sempre preferiu ocultar os fatos e arrancar sorrisos com culpa. Seria errado continuar nos enganando, continuar sorrindo de faixada. Já não estávamos de mãos dadas, amor, nos perdemos naquele tumulto de sombras vazias que dobraram a esquina.
O amor que pulsou há alguns meses atrás, involuntariamente continua aqui à procura de um veneno letal.
Confesso que, nas últimas 9 horas, já procurei e revirei o baú do nosso encontro a fim de solucionar o mistério do nosso final.
Utópico! Eu não cheguei a solução alguma.
(Juliana Thuinny)
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