sábado, 18 de fevereiro de 2012

    […]

    Mas é errado amar assim, com os olhos vendados, com o coração entregue demais.
    Você sussurrou baixinho, me alertou ao romper da aurora. E eu, no meu último trago do penúltimo cigarro, contestei. Mas é verdade, você venceu. Mais uma vez você estava certo, amor. Durou muito essa idealização tua, esse teu falso reflexo no espelho. Durou o tempo exato para uma cicatriz profunda, uma dor que enche de sangue e amarga a boca.
    Nada restou.
    Acabei de quebrar os discos de vinil do Elvis, os teus preferidos. Eu sei que não deveria descontar a conta neles, mas foram tão caros e lhe representavam tanto. Queria que você sentisse um pouco do que sinto agora. E que sensação boa, amor. Deitei-me sobre os cacos, fiz uma festa. Mas passou, e eu continuo aqui, sangrando e sentindo o gosto amargo que agora mistura-se com a saudade de você… de você que eu tanto idealizei.

(Juliana Thuinny)

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