É só um adeus, nada mais.
Eu vou além, viu?
Vou aprender a crescer,
só não quero mais derramar palavras
pra quem nunca vai entender.
Minha sina é essa mesma, viu?
Eu vou embora,
mas te guardo no peito
e é desse jeito
que a gente tem que levar.
Eu ainda serei tua menina,
tua pequena, tua morena.
E quando ler o que escrevo,
nas palavras "dengo"
e "chamego" é teu lugar.
Um dia, o vento me trará de volta,
mas tem que ser de verdade.
Não mais quero ser flor despedaçada,
não quero mais ser
ou viver pela metade.
Preciso voltar
num dia em que as palavras se encaixem,
o sorriso desprenda da garganta
e salte pro rosto com vontade;
num dia em que me sinta em paz.
Sinta paz.
E seja paz.
Tô pesada, tô cansada – perdoe-me –,
mas nem mesmo teus ombros podem me suportar.
Tô precisando de serenidade,
virar a esquina com vontade
sem temer e olhar pra trás.
Eu ainda sentirei o peso do mundo,
segredarei os teus medos;
eu ainda serei teu cais.
Um dia, baby,
o vento me traz de volta
pros olhos negros teus,
mas se ele me esquecer pelo caminho,
não fica aí sozinho;
encontra um novo bem
que te ame assim, mansinho
e te dê muito carinho,
porque eu fui além.
(Juliana Thuinny)
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