quarta-feira, 6 de novembro de 2013

(...)
  No silêncio quase que ininterrupto, eu conseguia escutar e entender que as coisas estavam diferentes. E de um jeito que não me agradava nem um pouco. Não se ouvia mais música, só o barulho do vento, que pesava. Foi quando ele me falou:

  – O amor já foi...
  – Como assim "o amor já foi"? Foi pra onde?
  – Pra longe daqui, pra qualquer lugar onde não hajam tuas coxas macias sobre meu abdômen. Ou nós dois embaixo dos lençóis. Ou você riscando meu antebraço com seus versos, e eu rindo, porque sou um pouco sensível nessa parte do corpo.

  Então me dei conta de que o vento tinha razão em estar pesado, em fazer barulho. Parecia mais que ele sentia o mesmo que nós dois... ou, talvez, só sentisse muito. 

(Juliana Thuinny)

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