sábado, 28 de julho de 2012

Querido amor de aluguel,

    Há quatro meses que não te escrevo, e eu não sinto remorso. Não peço desculpas. Porque não há motivos. E se hoje resolvi te escrever é porque eu não devo estar bem, e eu não estou. Então eu me devo desculpas por me ferir mais uma vez; por deixar bem claro que eu sinto mesmo sua falta e que eu sou incompleta sem ter você pra me acalmar. Isso é tão errado. Pra que tanta dependência? Pra quê?

    Sinto falta mesmo, porra. Aqui, acolá… Grito teu nome no meio da noite, durmo no escuro a fim de encontrar teu rosto e não ligo mais o aparelho de som. Tenho medo das vozes que tocam no rádio, todas elas representam você. Representam sua ausência. E sua ausência me rasga o peito. Mas quem se importa? Você nem ri mais do meu biquinho, eu nem tenho mais sua barba malfeita pra enfeitar meu espelho.

    E eu não quero mais te escrever. Vou engolir minhas palavras, meu choro, minha saudade e meu querer.

    Só acolhe os rabiscos desse bilhete mal enfeitado e livra-se logo em seguida…

(Juliana Thuinny)

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