– Óia, cumpadi, eu nunca que entendi bem do que se tratava idelogia. A primeira vez que ouvi foi numa radiola véia que Joaquina trouxe da cidade grande. Êta menina boa, essa minha fia, viu! Pensa numa criartura hurmide! Nada a ver com a oreia da mãe dela! Pois bem, um tá de moço, por nome de Cázuza, cantava: "Idelogia, eu quero uma pa vivêêê!" Ói, que eu nunca que fui chegado com essas coisa de cidade grande, não. Musica boa, mas boa mezz, é moda de viola: Tonico e Tinoco, Zé Carrêro e Carrêrinho, Renato Texêra! Mas eu gostei desse danado!...
– Ah, cumpadi, que baita palavrão! Mas o que quê dizê ide... ido...
– Idelogia, homi!
– Sim, esse bicho mezzz!
– Ora, essa, Ciço! Mas eu tumbém não sei.
– Cuma? E pru mode que tu tá falando disso, homi?
– Ara, Ciço! Não seja abestaiado, não, homi! Eu só tô te falano de idelogia pa vê se tu aprende arguma coisa, ara!
– Óia, Zé, essa é um palavrão difíci demais da conta! Mas tu bem que podia me arruma uma, óia.
– Uma o quê, homi?
– Uma ide... ido... Uma desse trem desse tá de Cázuza.
– Ah, homi, descuipa. Mas eu não posso te arruma uma, não.
– Pru mode de que não, Zé?
– Aprumode que desna que eu ouvi a musica que eu tô procurando uma.
(Juliana Thuinny)
;)
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