Eu desafio a mim mesma. Mantendo-me afastada da era virtual, e das correspondências que chegam numa velocidade estrondosa, sem marca de mão suada, poeira. Sem acumularem histórias ou serem amassadas junto a uma conta de um banco qualquer, boleto bancário ou revista mensal. E o pior: não têm cheiro. Não causam a agonia da espera, a ansiedade ou o medo de serem extraviadas. É apenas um emaranhado de palavras soltas, com erros ortográficos, e conversa fiada. Não quero esse tipo de comunicação. Mesmo com meu lado "moderno" gritando para que eu me entrose um pouco, e faça parte da jogada, eu não quero.
Quero uma conversa sólida, com palavras gritantes, berrantes e todos os "antes", permito até que sejamos ignorantes
– porque, afinal, somos isso mesmo
–, mas me poupe desse jeito moderno.
(Juliana Thuinny, in Eu também tenho um lado psicótico)
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