quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Relógio sentimental

    De acordo com meu relógio sentimental, hoje completa uma vida desde sua partida.

    Quero que saiba que não consegui dormir a noite inteira, me perdi na cama. Isso não deveria estar acontecendo, não é mesmo? O fim deveria ser absoluto e intocável, mas só bastou uma conversa sem muito conteúdo para me atormentar. Não acho justo você permanecer bagunçando minha vida, menino. É tão difícil admitir que sinto sua falta. Então, eu não sinto! Você como sempre, enxerido, resolveu ficar e me assombrar todas as noites. Fazer com que eu deseje seu corpo quente. Já têm alguns dias que estou febril, já não consigo falar de amor e não chorar. E também já não fico observando a rua da janela do meu quarto, porque me incomoda ver os casais.

    Você não deveria tomar minha vida, amor.
O combinado foi que ficaríamos bem e que o passado seria apenas uma lembrança. Mas eu não te culpo, você é tão humano quanto eu, você errou e agora estou errando, pondo o meu orgulho idiota em primeiro lugar. Eu sempre tão imutável e cabeça dura – admito.

    E por mais que seja ingenuidade da minha parte, por mais que a vida seja uma queda livre sem volta, eu sigo acreditando em algo que faça com que voltemos a ser um.
Não hoje, não agora.
Mas ainda consigo nos imaginar correndo em campos verdes, cheios de flores e borboletas: olha, é um girassol – eu digo, enquanto você me abraça apertado.

    Então é isso, amor: um adeus sem previsão de volta.

(Juliana Thuinny)

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