Se eu peco quando o assunto é cuidar do coração alheio – convenhamos, eu mal sei cuidar do meu.
Eu sinto a ironia e o pesar da culpa cada vez em que você fala meu nome no diminuitivo. E é como se não fosse me perdoar nunca. Sabe exatamente onde pisa, e pisa com gosto, não teme aos cacos. Conhece cada resquício espalhado pelo chão da sala.
Até parece que foi você mesmo quem planejou tudo: a cena, o cenário, os objetos e os personagens.
Basta encarar atentamente esses olhos castanhos para perceber que o medo me consome, querido. É visceral. Nem se eu quisesse, conseguiria encará-lo. Eu sei que é difícil de aceitar, mas é meu jeito.
Acho que nunca serei a sua metade inteira.
(Juliana Thuinny)
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